segunda-feira, 31 de agosto de 2009

O QUE SÃO OS AMIGOS, NA OPINIÃO DE GRANDES PERSONALIDADES

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Além de eu ser frasista, faz mais de 20 anos que coleciono frases alheias, e aproveito para revelar que - cleptomaníaco literário que às vezes sou - não tem consultório onde eu não entre que não saia dali sem antes "roubar" as páginas de frases de cada revista Caras que folheio - aliás, é a única coisa que se salva nela... Mas, como não gosto de manter arquivado esse tipo de material, hoje disponibilizo aqui as frases que consegui sobre grandes personalidades mundiais dando sua opinião sobre a amizade e os amigos, falsos ou verdadeiros, fiéis ou infiéis, amigos cachorros e ou cachorros amigos etc. Na maioria delas, predomina a desilusão, a solidão, a frustração e o pessimismo. Quanto a mim, admito que minha opinião não diverge muito da dos personagens arrolados abaixo, e, às vezes, chego mesmo a pensar que meus dedos das mãos são muitos para contar os verdadeiros amigos que ainda me restam, e, para piorar, ando numa fase terrível em que até os velhos amigos tem me decepcionado; porém, ainda assim, nem tudo não está perdido.
Bom, amigos, então, às frases!
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“Eu não tenho amigos porque não preciso deles.”
(Michelangelo - pintor e escultor)








“Amigos você perde ou descobre que nunca teve”
(Luiza Ambiel - atriz da Banheira do Gugu sobre o preço da fama)







“Prefiro ser amigo de algumas pessoas do que ter amigos.”
(Geraldo Vandré - cantor)








“Não tenho amigos. Há muita gente ao meu redor, mas não tenho amigos verdadeiros. Também não penso em ser amigos dos outros.”
(Gérard Depardieu - ator)








“Eu não tenho amigos.”
(Grande Otelo - ator)








“Eu absolutamente não tenho amigos.”
(Elvis Costello - músico)











“A gente não faz amigos, reconhece-os”
(Vinícius de Moraes)









"Por que será que a gente vive chorando os amigos mortos, e não aguenta os que continuam vivos?"
(Mário Quintana, 1906-1994 - poeta gaúcho)






“Quando moços, contamos tantos amigos quantos conhecidos; porém, maduros pela experiência, não achamos um homem de cuja probidade fiemos a execução de nosso testamento.”
(Mariano da Fonseca, marquês de Maricá, 1773-1848 - político carioca)






“Sou uma figura controvertida: ou os meu amigos me detestam ou não gostam de mim.”
(Oscar Levant - humorista)






“É por eu ser assim que o mundo me repele, e é por isso que eu nada quero dele.”
(Theophile Gautier - poeta)







“No espelho é que você vê seu melhor amigo.”
(Anônimo)







“Eu não gosto de gente. Eu não amo o meu próximo. Todas as vezes que investi em amor e amizades acabei ferido.”
(Marlon Brando - ator)







"Não, eu não odeio as pessoas. Só prefiro quando elas não estão por perto." (Charles Bukowisk, poeta, contista e romancista de origem alemã, 1920-1994)








“Eis-me, portanto, sozinho na terra, tendo a mim mesmo como irmão, próximo, amigo, companhia.”
(Jean-Jacques Rousseau - filósofo, em "Os devaneios do caminhante solitário" )







“A consciência da importância para mim mesmo é enorme. Eu sou tudo o que tenho, a única companhia para trabalhar, para me divertir, sofrer e alegrar. Não é aos olhos dos outros que eu devo ser cauteloso, mas aos meus próprios olhos.
(Noel Coward - humorista)





"Ah, não; amigo, para mim, é diferente. Não é um ajuste de um dar serviço ao outro, e receber, e saírem por este mundo, barganhando ajudas, ainda que sendo com o fazer a injustiça dos demais. Amigo, para mim, é só isto: é a pessoa com quem a gente gosta de conversar, do igual o igual, desarmado. O de que um tira prazer de estar próximo. Só isto, quase; e os todos sacrifícios. Ou - amigo - é que a gente seja, mas sem precisar de saber o por quê é que é." (Guimarães Rosa - escritor)


“O monstro foi o meu melhor amigo.”
(Boris Karloff – ator, sobre Frankstein, seu famoso personagem)







“Nós nascemos sozinhos, vivemos sozinhos e morremos sozinhos. Somente através do amor e da amizade é que podemos criar a ilusão, durante um momento, de que não estamos sozinhos.”
(Orson Welles - cineasta e ator)






“Meus amigos! Não existem amigos!
(Sócrates - filósofo)








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Aproveito este espaço para homenagear aquela que foi a minha melhor amiga em toda a minha vida – a Bartira, divindade que me deixou há exatos dez anos. Convivemos poucos anos, que cada sete anos meus equivaliam a um dela. “Como assim?”, você deve estar se perguntando. Acontece que a minha querida Bartira era uma cachorra - uma "cachorra amiga" - uma fêmea da raça pastor alemão, com pedigree e tudo mais.... E eu tinha uma admiração franciscana por ela, e como o célebre santo, sem pestanejar a chamaria de Irmã. Desnecessário apontar as suas nobre qualidades, mas adianto que ela nada tinha das ruindades típicas de filas, dobermans, pitt bulls e rottwailers, animais cujas terríveis características e problemas oriundos da raça podem ser simplesmente solucionados através de uma jaula, que é o lugar onde feras devem ficar.
O fato mais incrível nesta nossa agradabilíssima convivência, é que dias antes de Bartira falecer, eu fui à chácara de meu pai, e quando me preparava para sair e ir regar um pé de cajá que ficava distante, ela me acompanhou, apesar de estar bem velhinha e debilitada. Ela devia estar com o chamado "mal do rengo" - doença nos quadris que impossibilita o livre caminhar. Na volta à chácara, suas pernas traseiras, fracas que estavam, não aguentaram e eu tive de vir amparando-a para que pudéssemos regressar. Interpretei esse “passeio” como uma última despedida que ela fazia para o seu também melhor amigo (escrevo isto com lágrimas nos olhos...). No meu entender, ela sabia que ia morrer e quis fazer seu último passeio comigo - sim, foi isso mesmo, não há dúvida! Saudosa Bartira, como você, ninguém, nunca mais! É você, tão somente você que me faz corroborar a sábia frase: "Quanto mais conheço os homens, mais aprendo a amar os cães."
Na madrugada de 9-9-2006 eu tive um sonho incrível com ela. Chovia e trovoava muito nesta noite, e eu sonhei que estava lá na minha casa na rua Mal. Floriano Peixoto. Dormíamos eu e meus irmãos, e, de repente, a Bartira entrou em nosso quarto, subiu em minha cama e veio se deitar aos meus pés, coisa que ela jamais fez, educadíssima que era. No momento em que pedi para ela sair de minha cama, eu acordei subitamente. Daí, eu olhei para a porta de meu quarto e, na penumbra, e, entre relâmpagos que iluminavam o quarto, vi seu vulto sair pela porta, e depois, ela entrou novamentte parta desaparecer logo em seguida! E não é que a Bartira tinha pavor de trovões!... Foi um sonho (ou algo real) incrível!
Amigos, nunca vou me esquecer do dia em que, olhando para ela, eu disse: "Ê, Bartira, só falta você falar!" E ela, no mesmo tom, retrucou: "Ê, Wenilton, só falta você latir!"...
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sexta-feira, 28 de agosto de 2009

AURORAS AUTRAIS?! ou PÓLO ANTÁRTICO X PÓLO ÁRTICO

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Este texto foi bolado em princípios de 1996, mas, infelizmente, não teve o seu destino inicial: o de participar de um concurso estudantil sobre a Antártica. Acontece que, relendo-o hoje, achei interessante o que escrevi na época e resolvi fazer algumas melhoras e disponibilizá-lo neste blog. Mas vamos ao assunto.

O glaciologista Jefferson Cardia Simões (foto), diretor do Núcleo de Pesquisas Antárticas e Climáticas da Universidade Federal do Rio Grande do Sul e líder da Expedição Deserto de Cristal, em recente matéria no jornal Folha de São Paulo (22-2-2009), desfez alguns dos principais enganos na percepção que o público brasileiro tem da Antártida. Dentre outros assuntos, ele afirmou que

“'Mesmo após 25 anos de presença do Brasil na região, com a inauguração da estação Antártica Comandante Ferraz, em 1984, ainda permanecem muitos mitos sobre o ambiente antártico.' Diz ainda que 'Dificulta também a má definição da região tratada nos textos, confundindo o continente propriamente dito (cerca de 13,7 milhões de quilômetros quadrados) com a região antártica (ou seja, o continente e o oceano Austral juntos). O uso de termos arcaicos (oceano Glacial Antártico) só faz piorar essa situação'.”

Simões também chama a atenção para o fato de que “Noventa por cento do volume do gelo do planeta está no continente antártico.”

Agora, vamos ao que eu escrevi em 1996.

Vocês já repararam que, até pouco tempo, a região polar que mais dava ibope era o pólo Norte? Então, só se falava em Papai Noel e outros ícones setentrionais, como as belíssimas auroras boreais, o urso branco, os esquimós, os trenós, as renas, os iglus, os mamutes, as múmias da neve, os huskyes siberianos, etc. Aliás, por falar nestes belos cães polares, vocês sabem dizer onde eles urinam na falta de rodas nos trenós? Oras, na calota polar!... Brincadeiras à parte, de umas décadas para cá, o pólo Sul começou a ter seu merecido espaço na mídia, porém, ao que parece, só passou a chamar mais a atenção depois do surgimento de um terrível problema ecológico: o tal de “buraco na camada de ozônio”. Digo isso, lembrando que, até então, a grande maioria das pessoas imaginava que havia pingüins no pólo Norte – o único animal conhecido de todos, mas que desconhecem a sua verdadeira origem, da qual falaremos adiante. Sobre o pólo Sul, infelizmente o crescente ibope pendeu mais para o lado ruim da coisa – e o tal do “pecado que mora do lado de baixo do Equador” existe sim: novamente me refiro ao famigerado buraco na camada de ozônio... é, o tal buraco é mais embaixo...

Sobre o simpático mascote antártico, digo, o pinguim – animal que, por sinal, inspirou um dos maiores vilões inimigos do Batman –, se eu perguntasse ao leitor se acaso a nossa deliciosa cerveja Antártica se chamasse Ártica, qual o animal que deveria estampar o rótulo da garrafa no lugar do pinguim, ele saberia responder? Se respondeu urso branco acertou. Por quê? É que não há pingüins no pólo Norte, tampouco há ursos brancos no pólo Sul (vejam a paródia que fiz com o selo da cerveja Antártica...). Curiosamente, o estúdio Walter Lantz – o mesmo responsável pelo endiabrado Pica-Pau – criou o personagem Chilly Willy – conhecido no Brasil como Picolino –, que é um pequeno pinguim que mora no pólo Sul mas não gosta do frio... – adora comer peixe e viver em lugares quentinhos. Por causa destas suas preferências, ele vive se metendo em confusões. Normalmente, quem acaba sendo a vítima de suas artimanhas é um cachorro marrom conhecido como Smedley. Porém, nos últimos desenhos, Chilly passou a dividir seu espaço com um amigo chamado Maxie (ilustração), que era um urso branco!... Bem, pinguins perdidos já chegaram até a Bahia, e não se pode descartar que, vencendo estafantes 11 mil quilômetros, atravessem a linha do Equador e atinjam o pólo Norte...

AS AURORAS AUSTRAIS

Mas, falando sério, no que diz respeito ao belíssimo fenômeno das auroras, elas são freqüentes nas regiões boreais, entretanto, elas se manifestam também nas regiões antárticas. É que, supondo que o fenômeno somente se produzisse nas regiões árticas, em 1621, o astrônomo francês Pierre Gassendi denominou-o “aurora boreal”. Em latitudes do hemisfério sul é conhecida como aurora austral, nome batizado no séc. XVIII pelo navegante James Cook (o descobridor da Austrália), uma referência direta ao fato se situar no pólo Sul.

Aurora austral e, à esquerda, o cometa Mc Naughty, que apareceu na virada de 2006-2007.

Versão meridional da aurora boreal, a auroras austrais (southern lights) ocorrem em toda a Antártida e algumas vezes no extremo sul da Austrália e da Nova Zelândia. Com menos freqüência, ocorre também no extremo sul da América do Sul, na região de Ushuaia e Punta Arenas. Na foto ao lado, aurora austral fotografadada pelo satélite IMAGE, em 1 de setembro de 2005. O motivo de ocorrerem mais raramente na América do Sul se dá pelo fato de o pólo magnético terrestre estar situado do lado da Oceania e não da América. Para quem não tem cacife para ir até os pólos desfrutá-las, recomendo o filme Happy Feet, que se passa na Antártica e apresenta uma aurora austral. Tem mais: no filme, “Frequency” (2000), com Dennis Quaid, uma aurora boreal causa uma anomalia temporária nas comunicações, e um filho conseguiu comunicar-se com seu pai por rádio amador voltando trinta anos no passado e, assim, conseguiu alterar a curso da história.


Uma belíssima aurora austral

Poucos sabem, mas até o famoso o “Sol da meia-noite” existe também na Antártida, mas somente no pólo Sul geográfico. Isso se desenvolve devido à incidência de dias após dias sem noites, pois esses não se escurecem nas regiões polares. Acontece que os pólos permanecem em oito meses ininterruptamente iluminados e quatro dentro da divisão normal, com dia claro e noite escura. Dos oito meses iluminados, em somente dois o sol é visível, isso, devido ao fato de o sol ficar abaixo da linha do horizonte.

Falando nisso, se você uma dessas raras pessoas que curte os horários após o pôr-do-sol – que é o meu caso (foto) –, aqueles momentos de clima aconchegante a que se dá o nome de “noitinha”, hora boa para pescar (e beber...), e acha esses momentos de duração muito rápida aqui no Brasil, saiba que em certas regiões do Ártico é possível vivenciar esse “fenômeno” com mais "durabilidade", apesar do frio desgraçado (as coisas boas nunca vem juntas...). Conversando com o cientista acima, o Jefferson, que trabalha na Estação Comandante Ferraz situada no pólo Sul, ele esclareceu uma dúvida antiga minha à esse respeito. Inicialmente, ele disse que “Na Estação Comandante Ferraz já não ocorre o sol da meia-noite, pois ela está ao norte do Círculo Polar. Lá, a noite mais curta do ano tem 4 horas e 12 minutos (como uma penumbra).” Depois, perguntei-lhe se essa ‘penumbra’ seria aquele momento antes do amanhecer, ou aquele após o crepúsculo (a noitinha), em que o céu acima do horizonte fica todo avermelhado, estando o sol logo abaixo da linha do horizonte. E perguntei-lhe isso porque sempre quis saber em que região do pólo sul eu poderia curtir esses momentos crepusculares de maneira mais prolongada, momento em que, repito, o sol está ‘girando’ logo abaixo do horizonte.

Ele me respondeu:

“No auge do solstício de verão, você não chega ter uma noite escura em Ferraz, pois apesar de o Sol estar abaixo do horizonte, ainda permanece um pouco de luz difusa. Assim, são quase 4 horas como aquele momento apos o pôr-do-sol ou do nascer.

Mas não é como você descreve! Por outro lado, logo antes de nascer, o fenômeno que você descreve ocorre, e certamente dura uma pouco mais do que nos trópicos. O problema é ter um dia sem nuvens a 62°S.”

Muitas pessoas viajam milhares de quilômetros até as regiões setentrionais com o intuito de observar as auroras boreais, mas não acredito que alguém (eu, por exemplo...) vá até o pólo Sul para apenas desfrutar esses horários serenos após o crepúsculo, mesmo porque uma parcela irrisória dos humanos sabe disso...




Auroras austrais. Atentar para o fato de que este vídeo não é uma filmagem, mas sim uma animação feitas com várias fotos montadas em sequência e em velocidade alterada (mais rápida). Explicando melhor, ele é feito através do recurso conhecido como


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CURIOSIDADES

Os primeiros seres humanos a atingirem o pólo sul geográfico foram o explorador norueguês Roald Amundsen e seu grupo (foto), em 14 de dezembro de 1911, e o fizeram usando equipamentos, alimentos e animais usados normalmente no pólo Norte, como trajes esquimós, trenós leves, esquis, suprimentos para 2 anos e 97 dos melhores cães da Groelândia, etc. Mas acontece que o pólo Sul é mais frio que o seu antípoda.

Fato que deixou cientistas perplexos é a diversidade e o grande número de espécies semelhantes encontradas tanto no Oceano Ártico quanto nas águas geladas que cercam a Antártida, ao todo, 235 espécies. Das 230 a 250 mil espécies que vivem nos oceanos, 7,5 vivem na Antártida e 5,5 mil vivem no Ártico. Há uma teoria moderna que diz que novas espécies surgem durante o período de crescimento de gelo na Antártida.


POLO SUL MAGNÉTICO?! SIM, ELE EXISTE...

Mas outra novidade, tão incrível quanto as auroras austrais, é o pólo Sul Magnético. Sim ele existe, e é o ponto mais próximo do pólo Sul Geográfico, lugar onde as linhas de campo do campo magnético da Terra apontam diretamente para o chão, no entanto, as nossas bússolas traidoras insistem em apontar para o Norte! Na ilustração, sua posição em 1980. Ele não coincide propriamente com o pólo Sul Geográfico e nem possuiu um lugar geométrico constante. Ele foi descoberto em 16 de janeiro de 1909 por três exploradores: Douglas Mawson, Edgeworth David, e Alistair Mackay, membros de uma expedição liderada pelo Sir Ernest Henry Shackleton. Nest data, eles marcaram esse ponto com as coordenadas 72° 25′ sul e 154° longitude, e mais tarde, no ano de 1970, ele foi marcado a 66° sul. Curiosamente, o explorador Alexander Von Humboldt (1769-1859), numa de suas viagens equinociais, ao passar pelo caminho estreito que leva de Micuipampa à antiga cidade dos Incas em 1799, Cajamarca (norte do Peru), fez “uma observação magnética de interesse geral para a ciência”: ele determinou o ponto em que a inclinação da agulha magnetizada passa do norte para o sul, ou antes, o lugar em que o viajante corta o equador magnético.


LAGO DE ÁGUA DOCE SOB O GELO!

E tem mais: no pólo Sul existe um lago de água doce sob o gelo, que foi descoberto em 1957 por cientistas soviéticos – o Vostock – onde se encontra a água mais pura e antiga do planeta, isto, sob uma camada de gelo de 3.748 metros! Está isolado do mundo há mais de 30 milhões de anos, e é o último refúgio intocado da Terra abrigando espécies inimaginadas. Com cerca de 300 quilômetros de comprimento por 50 de largura e quase mil metros de profundidade em algumas áreas, se situa em pleno centro da Antártida, e é o lago subterrâneo de maior tamanho entre os mais de 100 que ali se encontra. Tem superfície de 15.690 km2, similar à do Lago Baical, na Sibéria e que é a maior reserva de água doce do mundo. Foi incluído na lista das descobertas geográficas mais importantes do século XX.

“'O lago tem 450 mil anos. A comunidade científica considera que a descoberta do Vostok é a descoberta geográfica mais extraordinária do século XX', afirma Valeri Lukin, chefe da expedição, citado pela agência oficial 'Itar-Tass'”.

À esta altura, deve ter leitor perguntando qual a origem do famoso bibelô antártico, digo, o pinguim novamente, mas o pinguim de geladeira... Pois bem: as primeiras geladeiras se assemelhavam a grandes armários, ocupando muito espaço. Então, para atrair os compradores e alertá-los de que o tal “móvel” era uma geladeira, a fábrica australiana Kelvinator (ilustração) passou a enviar pequenos bonecos de pinguins para as lojas que adquirissem seu produto, a fim de serem colocadas sobre as geladeiras como atrativo. A tática surtiu efeito e ganhou a simpatia dos compradores, que começaram a pedir para os lojistas o pinguim como brinde. Assim, esse hábito kitsch acabou se espalhando por todo o planeta. Ainda bem que a moda não se estendeu para outros utensílios de cozinha, se não poderíamos correr o risco de ver, p. ex., bibelôs de urubus em cima de lixeiras...

Enfim, caros leitores adeptos do moderno imã de geladeira, da próxima vez em que alguém vier lhes contar vantagens sobre o pólo Norte, encha o peito e informe-lhe sobre todas as belezas do sul maravilha que você aprendeu aqui. Se não se recordar de tudo, indique-lhe meu blog...


FONTES (17):

Consultar o autor

sábado, 22 de agosto de 2009

DOIS VELHOS CASOS HUMORÍSTICOS: GENERAL ELETRIC E GENERAL MOTORS "EM PESSOA"!...

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Memória boa que tenho, achei interessante disponibilizar aqui duas humoradas histórias muito parecidas no enredo, mas distantes entre si cerca de quatro décadas. Há poucos meses, vindo a conhecer a história mais recente, é que fui me recordar da primeira, devido à sua relativa semelhança.

A primeira, li-a no início dos anos 80 num livro do emérito caçador e pescador a que muito admiro – o grande Francisco Barros Júnior (1883-1969). Ela faz parte de um dos seus incríveis livros da série “Caçando e Pescando por Todo o Brasil” – o da 3ª série, de 1949 –, um dos relatos das inúmeras viagens que ele fez pelo País na primeira metade do século XX, num tempo em que ainda não se falava em ecologia e as leis de proteção à fauna ainda engatinhavam.

Conhecido e afamado no país, ele praticava intensamente tais atividades. Apesar de suas viagens nada terem de expedições científicas, foi nelas que ele reuniu informações para publicação de seus livros, bem como deixou relatos que seriam de grande utilidade para o levantamento e catalogação de dados sobre a fauna brasileira.

Antes de irmos para as histórias, gostaria de dizer que Barros Jr., além de também ser jornalista e escritor, possuía também qualidades de botânico, zoólogo, geógrafo, geologista, historiador, automobilista, poeta e pensador”, o que tornava os seus livros de uma riqueza impressionante e de leitura agradabilíssima à quem gosta de narrativas da vida ao ar livre e história natural. Por isso mesmo, recomendo sua obra, pois constituem elas verdadeiras e fascinantes viagens por esse Brasil interiorano e diversificado, num tempo em que ainda não grassava essa destruição que vemos hoje. No entanto, temos de reconhecer que Barros Jr. foi não só um caçador e pescador voraz, como também matou animais desnecessariamente, como cobras, gaviões e jacarés, mas ainda que isto pese negativamente em seu currículo, os tempos eram outros e a prática da caça era comum entre a maioria dos brasileiros. Tanto o é que estas viagens tinham como objetivo divulgar e comercializar munições para armas de fogo. Assim sendo, temos de “dar um desconto” ao homem e procurar levar em conta o preciosismo de seus registros e observações que podem ser considerados como verdadeiros documentos das diversas áreas que citei anteriormente.

Em sua história, Barros Jr. fala de uma passagem engraçada ocorrida com ele quando passava pela capital da Bahia, numa ocasião em que tratava com um tenente do porto local. Em dado momento, estando com hemorragia nasal e precisando se retirar, pediu ao tenente que enviasse depois seu passaporte ao navio. Porém, antes de sair, colocou seu cartão de visitas sobre a mesa dele e foi perguntando rapidamente se havia livre trânsito pelo território baiano ou se ele ainda estava em estado de sítio (essa era a situação política na época). O tenente, ante tão enérgica atitude, pensou que o Barros Jr. fosse um outro senador, pois já havia se desentendido com um anteriormente. Agora, caro leitor, deixo ao Barros Jr. a narração do resto da história:

“Foi tão insólito o meu proceder, comparado com a respeitosa atitude dos outros, que por certo se julgou às voltas com outro iracundo senador. Olhou disfarçadamente para o cartão e com presteza se pôs em pé na posição de sen­tido, declarando que a providência era para con­trolar a fuga de criminosos ou membros do bando de Lampeão, mas que para pessoas, ‘no­tóriamente conhecidas’ como eu, era dispensa­da. Num relance compreendi o seu equívoco e apoiando-me à mesa, empalmei o abençoado cartão, para que mais tarde, verificando o seu engano, não mandasse buscar-me sob escolta...

Eu era a esse tempo inspetor da General Motors do Brasil, e esses nomes vinham da América já gravados em alto relevo, sendo aqui impresso o do ins­petor. Os tipos eram góticos e no rápido re­lancear da vista, apenas pôde ler General e, pos­sivelmente, Brasil. A esse tempo, o nome do ge­neral Assis Brasil andava no cartaz e os meus cabelos grisalhos, olhos azuis e tez corada o induziram ao erro.

Fui, portanto, conduzido até à porta com todas as manifestações de respeito, recebendo à despedida, antes de me apertar a mão que magnânimamente lhe estendi, uma impecável con­tinência acompanhada pelo sonoro bater dos tacões no mais correto figurino prussiano...

O que lhes posso garantir é que é bem agra­dável ser tratado como general, mesmo como General Motors do Brasil...”

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A segunda história é mais recente, e foi extraída do livro “Nosso Folclore” (1984), de José Carlos Rossato, colhida pelo informante Marcelo Luís Marques.

“Um político, ex-dirigente da Votuporan­guense, famoso por suas gafes, certa vez rece­beu um amigo francês que residia na Capital do Estado. Depois do jantar, o francês começou a lembrar de sua Pátria, citando nomes célebres, totalmente desconhecidos do anfitrião. Perce­beu que o votuporanguense não estava enten­dendo nada. Mas para mudar de assunto, repen­tinamente seria pior. Resolveu fazer uma per­gunta ao seu interlocutor, achando que este responderia:

– Lembra-se quem foi o general mais fa­moso do meu País?

Suando frio, o anfitrião ainda recebeu uma dica de sua esposa, que apontou a geladeira onde pousava uma miniatura do busto de Napoleão Bonaparte, presente do visitante. O nosso conterrâneo sorriu aliviado e respondeu:

– Claro que sei. Foi o grandioso, magnífi­co e corajoso... General Eletric!

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Como se vê, ao contrário do presidente Lula que já chegou a confundir, por duas vezes, a General Motors com a Mercedes, a confusão aqui é outra: cargos militares confundidos com empresas!... A despeito dos longos anos que separam ambas as histórias, há sim uma certa semelhança entre elas. A história do Barros Jr. – apesar de ele ser caçador e pescador...–, deve mesmo ser verídica, mas a outra tem um enredo meio duvidoso, e deixa entrever que parece haver uma certa analogia entre as duas, ou melhor, a segunda é recriação da primeira. Digo isto baseado no fato de que historias antigas e célebres sempre vão e vem e são alteradas através dos tempos, tornando-se às vezes histórias populares, como os “causos”, lembrando-se que os livros do Barros eram uma coqueluche na época, e sua história deve ter corrido esse Brasil afora, permanecendo na memória dos mais antigos.

Resta-me dizer que é muita sorte que a história do Barros Jr. não tenha ocorrido recentemente, pois hoje, com a pujante General Motors e o fantasma da falência no seu encalço, acho que se correria menos risco exibindo um cartão da General Eletric...


FONTES

Duas fontes. Consultar autor.

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sexta-feira, 21 de agosto de 2009

PARA BAIXAR: JORNAL HIT POP DE AGOSTO DE 1976, COM 20 PÁGINAS!

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Matérias principais:

- "Kiss vende a alma ao diabo"
- Jethro Tull ressurge
- João Ricardo lança 2º Lp solo
- "Beatles se reunem por Ringo"
- Primeiro disco solo de Peter Gabriel
- "George Harrison acusado de plágio com 'My Sweet Lord'"
- Tom Jobim: "A MPB está morrendo"
- Ednardo: "Os ídolos acabaram"
- Recadão de Fagner
- Gonzaguinha com tuberculose
- Primeiro disco de Guilherme Arantes
- Patrick Moraz grava com brasileiros
- Lançamentos: Rita Lee - "Entradas & Bandeiras"; Led Zeppelin - "Presence"; Grand Funk - "Born to Die"; Paul McCartney & Wings - "At The Speed of Sound"; Dr. Feelgood - "Malpractice", etc.
- E muito mais!

Entre aqui para baixar:

http://www.easy-share.com/1907329639/Jornal HIT POP - ago. 1976, pág 20.pdf

Em breve, mais jornais!
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sábado, 15 de agosto de 2009

HOMENAGEM AOS 40 ANOS DE WOODSTOCK, O FESTIVAL DOS FESTIVAIS

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Há exatos 40 anos atrás, nos dias 15, 16 e 17 de agosto do distante ano do verão do hemisfério norte de 1969 – apenas um mês depois da célebre chegada da Apollo 11 à Lua –, o mundo se surpreendia com uma nova façanha humana, mas desta vez no próprio planeta Terra: o não menos célebre festival de Woodstock. Sem sombra de dúvida, se existiu um evento onde qualquer jovem de qualquer época sonharia participar, este evento era Woodstock. Oriundos de diversas partes do mundo, uma multidão de jovens com visual propositadamente desarrumado, com roupas coloridas, ponchos e vastas cabeleiras se reuniram para curtir três dias de sexo, drogas & rock’n roll.

Vale lembrar que nenhum outro festival de música teve tanta repercussão e tanta importância como esse que é considerado o mais importante evento musical da história contemporânea. Woodstock foi um evento que primou pelo fato de ter promovido e levado ao estrelato muitas das bandas participantes, e, ao mesmo tempo, de provar como era grande o apetite do público pelo estilo de música que rolou: pop, psicodélico, rock, country e blues.

A clássica imagem do casal, ainda vivo.


Flashes do festival

OS IDEALIZADORES, O "QUARTETO FANTÁSTICO"

Woodstock foi obra de quatro jovens: John Roberts, Joel Rosenman, Artie Kornfeld e Michael Lang. Dois deles, Roberts e Rosenman, eram dois milionários seriamente decididos a investir numa empreitada qualquer desde que ela aumentasse seu nada modesto capital. A princípio, a dupla colocou um anúncio no jornal dizendo: “jovens homens com capital ilimitado procuram oportunidades de investimento e propostas de negócios interessantes e originais”. Lang e Kornfeld não tinham dinheiro algum, mas apenas boas idéias. Na época, Kornfield trabalhava na Capitol Records e Lang era um promotor de shows que, em janeiro de 1969, organizou um grande festival (para a época) em Miami, assistido por 40 mil pessoas.

Depois, sabe-se que Lang se uniu a Kornfield, e juntos tiveram a idéia de um outro festival de música, mas faltava verba. O advogado deles os levou até Roberts e Roseman, e os quatro vieram a se conhecer em fevereiro de 1969 - foi quando acabaram se juntando para por em práticas suas idéias.ticas suas idse juntando para porem em prmo , jis de TV

Inicialmente, os quatro pensaram em montar uma gravadora independente especializada em rock numa pequena cidade longe de Manhattam conhecida como Woodstock, mas depois optaram por realizar um festival misturando cultura, música e o nascente estilo de vida ditado pela contracultura - nascia aí a "Feira de Arte e Música de Woodstock".

Em março, para organizar o evento, o membros do “quarteto fantástico” fundaram a empresa Woodstock Ventures Inc. Nova York foi escolhida para a realização do festival, pois muitos dos músicos que seriam convidados residiam na cidade, como, p. ex., Bob Dylan e Hendrix. Por volta de abril, a WVI já havia descolado um local e propagandas começaram a ser veiculadas em cartazes e comerciais nas TV dos EUA. Foram investidos 2.4 milhões, e as primeiras bandas a serem contratadas foram o Jefferson Airplane e o The Who, que embolsaram US$12 mil e US$12,5 mil, respectivamente. O cachê mais alto foi o de Jimi Hendrix, US$ 18 mil, que foi o último a se apresentar. Embora estes valores pareçam muito baixos hoje, na época eles equivaliam ao dobro do que as bandas recebiam normalmente por seus shows, o que nos mostra como o show business mudou. Em julho, apenas um mês antes da estréia do festival, inicialmente cotado para atrair 50 mil pessoas, a Câmara dos Vereadores do lugar originalmente escolhido, Wallkill, baixaram leis que proibiram a realização do festival, deixando os produtores com um prejuízo de US$ 2 milhões já investidos em estrutura de palco, som e técnicos. Felizmente, com a ajuda de um sujeito conhecido como Elliot Tiber, a WVI acabou encontrando um novo lugar: um campo de 600 acres da fazenda do leiteiro Max Yasgur, no vilarejo de Woodstock, em Bethel, a 145 quilômetros de Nova York.

O fato de o festival ter sido realizado não numa cidade grande, mas numa fazenda, enfatizava o clima reinante de “cair na estrada” e “volta ao campo”. Para atrair seu público alvo, a WVI lançou mão de todos os símbolos e chavões consagrados pela contracultura – o próprio slogan do evento, “três dias de paz e música” –, era baseado nesse conceito. Assim, sobre o festival pairou um clima de protestos antiguerra e anticapitalismo, o conceito de amor livre, o movimento de libertação das mulheres, vida em comunidade e outras reinvidicações da época. O próprio Kornfield, considerado hoje o "Pai de Woodstock" (na foto, visitando o local), explicou na época que o festival não deveria ser pensado em termos de construção de palcos, assinatura de contratos ou venda de ingressos, mas sim encarado como um estado de espírito, um acontecimento para se tornar um símbolo de toda uma época e geração.

Houve quem considerasse os quatro loucos, utópicos e pretensiosos por pretenderem realizar o maior festival de música do planeta e ambicionar reunir 200 mil pessoas. Mas Woodstock superou todas as expectativas e se revelou um verdadeiro fenômeno de massa, reunindo cerca de 500 mil pessoas e 32 artistas e bandas dos mais famosos dos anos 60.

O FESTIVAL

O festival teve início na tarde de 15 de agosto, sexta-feira, às 17:07h e se estendeu até a metade da manhã do dia 18 de agosto, uma segunda-feira. Os policiais locais, estaduais e do resto do país estavam preparados, sabiam o que estava por vir e confiavam em suas habilidades para que corresse tudo bem, seja com o trânsito, as emergências médicas, o saneamento e outros problemas inesperados. Woodstock não estava sendo cotado com um grande festival. Seria, a princípio, um festival de rock como tantos outros que ocorriam pelos Estados Unidos na época.

Na foto, Joe Cocker em sua louca performance de "With a Little Help from My Friends" , dos Beatles. Cocker, com certeza, o inventor do air guitar!


OS INCIDENTES E OS PORQUÊS

No início de agosto, cerca de 200 mil ingressos tinham sido vendidos antecipadamente, e o que tinha começado como um festival de música para aproximadamente 200 mil pagantes, teve seu número dobrado após o primeiro dia do festival.

Já no primeiro dia do evento, os organizadores se viram obrigados a transformar o festival num evento grátis, já que, simplesmente, não houve jeito de controlar a multidão que ia chegando. O problema é que não tinha jeito de abrigar tanta gente naquela área; então, quando os músicos começaram a chegar, o engarrafamento ficou gigantesco. Carros foram abandonados no meio da estrada e as pessoas tiveram de ir a pé para o show. Com todas as estradas bloqueadas, os organizadores tiveram de alugar helicópteros do exército para trazer os músicos.


Depois, a cerca ao redor do local foi derrubada, e aí mais pessoas entraram sem pagar. Com isso, os promotores tiveram US$ 100 mil de prejuízo inicial, mas depois veio o lucro: o filme lhes proporcionaria um retorno imediato de US$ 17 milhões e a glória de ser o filme que inovou a arte de registrar espetáculos musicais, além de ter ganho o Oscar de melhor documentário de 1971.

O site do Jornal Imparcial explicou o porquê de as coisas terem tomado esse rumo:

“Em entrevista no início de Woodstock, seu organizador, Michael Lang, afirmou esperar na fazenda em Bethel 200 mil pessoas entre 15 e 17 de agosto de 1969. A manchete do New York Times do primeiro dia do evento dizia o mesmo: 'Duzentos mil indo para festival de rock engarrafam as estradas ao Norte do estado'. Não demorou para que o número duplicasse, triplicasse até chegar ao ponto de não se saber quantos milhares estavam ali. O anúncio de que o festival havia se tornado gratuito e a visão das pessoas arrebentando as cercas da fazenda de Max Yasgur deram conta de que o que estava ocorrendo no interior do estado de Nova York era mais do que um festival de música.”


Havia também o problema do tempo, que às vezes ficava pavoroso. Na sexta-feira caiu uma tempestade e houve uma inundação. Centenas de pessoas estavam cortando os pés em garrafas quebradas e em tampas de garrafas. No geral, mais de 5 mil atendimentos médicos foram documentados, e muitos deles em razão do uso de drogas e álcool, que foram consumidos à exaustão.

Ocorreram também alguns problemas não menores: falta de comida; condições sanitárias precárias ou inexistentes. e preocupações do gênero. O pior de todos foi a mortes de 3 pessoas (uma overdose, um atropelamento por trator e um ataque de apendicite), além de quatro abortos, mas, felizmente, 2 ou 3 crianças nasceram, fato contestado hoje em dia, já que nunca foram localizadas. Apesar de tudo, a ação da polícia limitou-se à trabalhar na apreensão de drogas e outros casos sem maiores repercussão.

No final, a cena hilária: todo mundo embarreado pelas estradas e perguntas como “Onde está meu carro?” e “Onde estão meus amigos?” pipocavam pelo ar...


OS ARTISTAS QUE SE APRESENTARAM

- Primeiro Dia: Richie Havens; Country Joe McDonald; John Sebastian; Incredible String Band; Sweetwater; Bert Sommer; Tim Hardin; Ravi Shankar; Melanie; Arlo Guthrie; Joan Baez.

- Segundo Dia: Quill; Santana; Canned Heat; Mountain; Janis Joplin (foto); Sly & the Family Stone; Grateful Dead; Creedence Clearwater Revival; The Who.

- Terceiro Dia: Jefferson Airplane; Joe Cocker; Country Joe & The Fish; Ten Years After; The Band; Blood, Sweat and Tears; Johnny Winter; Crosby, Stills & Nash (e Young como convidado)

- Quarto Dia: The Paul Butterfield Blues Band; Sha-Na-Na; Jimi Hendrix.


CURIOSIDADES

* Até hoje há quem pergunte sobre o porquê da banda mais famosa da época, os Beatles, não terem participado do festival. É que John Lennon, George Harrison, Paul McCartney e Ringo Starr, estavam em pleno clima de separação definitiva da banda, que foi anunciada oficialmente em março de 1970, e nesta época preparavam seus discos individuais seguindo carreira solo. Os promotores chegaram a entrar em contato com John Lennon, pedindo para que os The Beatles tocassem no festival. Lennon disse que os Beatles não tocariam no festival a não ser se a Plastic Ono Band, da Yoko Ono, também pudesse tocar. Os promotores o recusaram.

* Neil Young não fazia parte da banda de Crosby, Stills & Nash. Ele apenas tocou algumas músicas com os três, e acabou, mais tarde, sendo chamado para a banda.

* A banda Iron Butterfly foi convidada para tocar, mas teve sua apresentação cancelada porque o vôo atrasou e os músicos ficaram presos no aeroporto, não podendo chegar ao local do show.

* A banda Grateful Dead tocou durante a chuva. Alguns membros da banda tomaram choques durante a sua apresentação e Phil Lesh (o baixista) ouviu o rádio de transmissão de um helicóptero através do amplificador de seu baixo enquanto tocava.

* A banda Led Zeppelin foi chamada para tocar no festival, mas o empresário da banda, Peter Grant, afirmou: “Nós fomos chamados para tocar em Woodstock e a gravadora (Atlantic) estava bastante entusiasmada, e Frank Barsalona (o promotor) também. Porém eu disse não, pois em Woodstock nós seríamos apenas outra banda na parada”. Em vez disso, o grupo foi para uma turnê de mais sucesso.

* The Doors inicialmente concordaram em tocar, pois acharam que o festival fosse ocorrer no Central Park, mas decidiram ir contra a idéia quando souberam que o festival ocorreria em uma fazenda isolada da cidade. Eram considerados uma banda com grande performance, tinham bastante potencial, mas cancelaram a apresentação em cima da hora. Ao contrário do que muitos pensam esta ocorrência não está relacionada ao fato de o vocalista, Jim Morrison, ter sido preso por postura indecente em um show anteriormente. O cancelamento do show se deu ao fato de que Morrison sabia que a sua voz soaria repugnante por estar ao ar livre. Há também a idéia de que Morrison, em um momento de paranóia, estava com medo que alguém atirasse nele e o matasse quando o mesmo pisasse no palco. No entanto, o baterista John Densmore compareceu no festival; no filme, ele pode ser visto ao lado do palco durante a apresentação de Joe Cocker, quando esse cantava o hino lisérgico “Let’s Go Get Stoned”.

* Frank Zappa e The Mothers of Invention afirmaram: “Muita lama lá em Woodstock. Nós fomos convidados para “tocar lá, mas recusamos” justificou Frank Zappa na época.

* Não se sabe o porquê, mas os Rolling Stones não foram convidados para tocar em Woodstock, mas a banda, enciumada, quatro meses depois, realizou o festival Altamont, na Califórnia. Programado para ser uma resposta da costa oeste americana a Woodstock, o evento reuniu bandas californianas e público em número semelhante ao de Woodstock, mas ficou marcado pela violência e pela morte de quatro pessoas que foram esfaqueadas por motoqueiros do grupo Hells Angels, que foram contratados para fazer a seguranças do festival. “As drogas já estavam sob controle do crime organizado”, afirmou o jornalista Joel Macedo, autor do livro Albatroz, o encontro das tribos na Califórnia dos anos 60 (Editora Danprewa). “O movimento hippie mudou de mão, fugiu de controle. Em Altamont, o sonho acabou”.


HENDRIX, O PRINCIPAL ARTISTA

Jimi Hendrix foi o último a se apresentar naquele dia, às 8.30 hs da manhã de segunda-feira, onde “restavam” cerca menos de ¼ do público de 500 mil nas noites anteriores. Os que foram embora não sabem o que perderam, pois foi talvez o melhor show de sua carreira, dia em que ele apresentou sua célebre e inimitável versão do hino nacional norte-americano, em meio da qual improvisou com uma maestria jamais vista, a cena de uma batalha no Vietnã. Sua humildade impressionou antes do início do show, quando ele disse: “Vocês podem ir se quiserem, nós estamos fazendo uma ‘jam’; é tudo”... É que jam fez a banda ! Nunca, Hendrix tocara tão bem como nesse dia! Ele estava iluminado, e talvez preconizasse a importância que o festival viria a ter para a posteridade! Mais tarde, quando lhe perguntaram se ele sabia que iria gerar tanta polêmica com a performance de Star Splanged Banner, ele declarou apenas dizendo Eu achei que foi lindo”. Hoje, é sabido que a grande vitória da Geração Woodstock foi ter conseguido arrancar os Estados Unidos do Vietnã.



Hendrix interpretando Star Splanged Banner

Bob Tequila, da comunidade Jimi Hendrix Brasil no Orkut, fez um belo comentário sobre essa apresentação:


“É uma multidão que admira silenciosamente o que ele está tocando. Há quase um clima religioso, um ritual pagão em ouvir, captar aquelas notas alucinadas, principalmente quando ele executa The Star Splanged Banner. A maioria do pessoal parece ser do sexo masculino e observa atentamente as notas que saem e o que os dedos, a língua e o cotovelo do MESTRE está fazendo. Mas os seus rostos atônitos parecem não acreditar no que ouvem!”


WOODSTOCK HOJE

Passadas quatro décadas, os debates discussões sobre sua importância persistem, e até hoje divide opiniões: enquanto uns dizem que Woodstock foi o fim de toda a ingenuidade e utopia que cercavam os anos 60, outros afirmam que foi o apogeu de todas as mudanças e desenvolvimento na sociedade. Hoje, cultores da onda hippie encaram Woodstock como “o marco final de uma era dedicada ao avanço humano”. Há ainda os que dizem que tudo aquilo foi apenas uma “festa dos infernos”... Mas numa coisa todos são unânimes: o festival foi evento cultural relevante não só para a história da música, mas para a história da humanidade e muitos saíram dali com uma visão totalmente diferente do mundo.

O escritor e jornalista Celso Lungaretti, 58 anos, sintetizou em poucas palavras, o que representou Woodstock:

“Woodstock foi o evento musical que mais influenciou as artes e os costumes na história da humanidade. (...) as gerações seguintes se desinteressaram de mudar o mundo, voltando a priorizar a ascensão profissional e social. O rock, depois de uma fase intensamente criativa e experimental, voltou aos caminhos seguros do marketing. (...) O sonho acabou? Talvez. Mas, quem o partilhou só lamenta que haja durado tão pouco e tenha sido substituído por uma realidade tão insossa.”


E as coisas mudaram mesmo: hoje, ironicamente, no museu local do estranhamente limpo Bethel, se lê avisos assim:

"Proibido utilizar drogas em público"; "Proibido instalar guarda-sóis ou barracas de acampamento"; "Não tocar música em alto volume"...



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