quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

UM OVNI, DO TIPO SONDA, QUE FOTOGRAFEI SEM TÊ-LO VISTO!


Dia 3 de setembro do ano passado, 2012, fui fazer algumas fotos noturnas na zona rural do lado norte da cidade de Leme (SP), numa estrada além do bairro São Bento, da vizinha cidade de Araras. Estava eu do lado nordeste da fazenda Lagoa Funda (22°14'5.74"S, 47°21'37.23"O), e o motivo principal das fotos naquele momento era esta fazenda e suas luzes. Para minha decepção, ao abrir as fotos em meu computador na mesma noite, notei ficaram todas desfocadas e os ruídos (granulações) muito acentuados. Mas algo chamava a atenção nas quatro tomdas que fiz: uma luz verde-azulada que eu não vi enquanto fotografava, e ao analisá-la, tudo levava a crer que se tratava de um OVNI. Tinha um caminhão na fazenda com os faróis acesos, de cor laranja, o que me chamou a atenção à princípio. A grande luz amarela era uma luz externa, talvez de alguma parede da fazenda. Já a pequena luz verde-azulada no céu é o suposto OVNI, que parece ser do tipo sonda, portanto de pequenas dimensões. Ao que parece, ele saiu do lugar onde fica a lagoa situada ao lado da fazenda, talvez imergido dela. Não se ouviu ruído algum no céu durante as tomadas. É comum este tipo de aperelho estar associado à cursos d'água.

Por sorte, sempre quando fotografei o objeto estava parado no céu, mas a sequência das fotos revela que se moveu sutilemente no céu no intervalo entre as tomadas.

Eu e um grupo de amigos vimos um aperelho desses passando sobre nós na Usina Palmeiras (há cerca de 8 quilômetros da fazenda Lagoa Funda) nas férias de 1976. Tinha uns 30 cm de diâmetro e atrás dele havia uma pequena cauda azulada! Notar que o OVNI da fazenda tem uma "névoa" acima e à direita dele, o que é visível nas quatro tomadas.

Na quarta foto, nota-se que, sem querer, a regulagem de distância da máquina estava ótima para a focagem do OVNI, e por isto mesmo ele é visto em sua perfeita forma esférica, o que foi uma grande sorte.

A fazenda estava à cerca de 500 metros de mim, e acredito que o OVNI há uns 200 ou 300 metros.

Foi realizado um tratamento nas fotos com o programa Corel Photo Paint, de modo a clareá-la, aumentar os contrastes, reduzir as granuções e a evidenciar melhor a forma do OVNI.

Notar seu deslocamento pelo céu - coisa que eu teria notado se ele estivesse visível: por exemplo, na foto 2, marquei a "posição 1" onde ele estava na foto 1 e ele já na nova posição no céu, e assim sucessivamente.

Se notarmos, da foto 1 para a foto 2 o objeto pareceu se aproximar mais do lugar onde eu estava. Esta região da cidade é um lugar que parece atrair este tipo de fenômeno, e eu mesmo já registrei pelo menos 6 ocorrências ocorridas desde meados do século passado.

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

PENSAMENTOS DE UMA TARDE DE QUARTA-FEIRA CALORENTA (by V-Newton)

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É melhor ser inteligente que  ser esperto, mas é melhor ser esperto que ser burro.
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Desgraça de bêbado é muro chapiscado.
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Soltar um pum dentro do elevador é como mergulhar: você tem que prender a respiração.
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Repare: a desordem alfabética do teclado.
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O estivador, ao contrário do brocha, anda com o saco em cima da cabeça.
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O orgão mais musculoso nas mulheres é a língua. Exercitá-la é a sua principal ginástica.
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Desgraça de minhoca é formiga assanhada.
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Se as flores carnívoras fossem vegetarianas, seriam canibais.
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Mulher falsa é aquela que nos largou para ficar com outro homem. Mulher verdadeira é aquela que largou outro homem para ficar conosco.
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quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

LUDITAS ÀS AVESSAS!!!...



Neste ano, 2012, está fazendo 200 anos que os revoltosos conhecidos como luditas fizeram uma série de destruições de tecelagens em Nottingham, na Inglaterra, entre fevereiro e março desse ano. Em plena era da Revolução Industrial, quebraram máquinas e depois incendiaram os edifícios. Mas, afinal, quem foram os luditas? Pois bem: o ludismo foi um movimento que ia contra a mecanização do trabalho, surgido com o advento da Revolução Industrial. Adaptado aos dias de hoje, o termo ludita se refere à toda pessoa que se opõe à industrialização intensa ou mesmo à novas tecnologias, como este que vos escreve... Este movimento social é hoje conhecido como o neoludismo. Um exemplo de um autor que se identifica com esta designação é Kirkpatrick Sale, que escreveu o livro "Rebels Against the Future" ou Movimento Operário. Segundo os luditas, por serem mais eficientes que os homens, as máquinas tiravam seus trabalhos, requerendo, contudo, movimentos operários e duras horas de jornada de trabalho. E, curiosamente, a mesma revolta (sem tal violência, mas com  mesma gravidade) não se deu com nossos cortadores de cana com o surgimento das colheitadeiras mecânicas, que dispensaram a mão-de-obra da classe?!... (na ilustração, Ned Ludd, o líder dos Ludistas, gravura de 1812)
E já que estou falando de tecelagens, gostaria de dizer à meus amigos que meus pais – os jovens e belos conhecidos como Walter Daltro e Maria de Lourdes Rocha –, eram funcionários de uma mesma tecelagem, a "Textil São Antonio", hoje demolida, que ficava na Avenida Leme, Nº 80, de propriedade de Armando Lagazzi. Meu pai trabalhou ali entre 1951, aos 14 anos, até 1957, e minha mãe na mesma época – ela, como tecelã e ele como contador no escritório da empresa. É oportuno lembrar que, tempos depois – creio que no final da década de 90 –a tecelagem encerrou suas atividades, e na década seguinte ocorreu um estranho incêndio ali, e não se sabe de origem criminosa. Vale dizer – modéstia às favas – que sem a existência desta tecelagem – onde meus velhos se conheceram e se enamoraram –, este que vos escreve talvez não existisse!... (na foto, acima e à direita, a tecelagem em 1980)

Bem lembrado, é oportuno dizer que também, há exatos 155 anos atrás, no dia 8 de março de 1857, nos EUA, os patrões e a polícia trancaram as portas de uma tecelagem e depois atearam fogo, matando 129 operárias carbonizadas! Daí, caso não saiba, surgiu o Dia Internacional da Mulher!

Curiosamente, também exatos 200 anos depois do quebra-quebra dos luditas ingleses, em 4/04/2012, a Prefeitura Municipal de Araras aprovava o projeto para a construção de um novo edifício na cidade – o imponente "Vitrallis - Premium Residences", edifício que, por ironia do destino, vai se situar exatamente no mesmo local onde se erguia a extinta Textil São Antonio, onde, repito, a pombinhos apaixonados Daltro & Rocha uniram seus corações!...

À esta altura, meu leitor deve estar matutando aí: "Mas aonde esse danado do Wenilton quer chegar?!" Pois bem: é que dói ver uma tecelagem linda como era a São Nicolau encerrar suas atividades, pegar fogo e depois ser demolida – que ela era, de certo modo, um lugar sagrado para mim, cidadão extremamente preocupado com a preservação de nosso edifícios históricos ou antigos. Se situava a São Nicolau na espinha dorsal de Araras onde se alinharam e conviveram Daltros e Rochas desde o final do século 19 até o final do século seguinte. Daltros moraram ao longo da "Antiga estrada para Leme" (hoje Avenida Maria Muniz Michielin e Avenida Leme); Daltros construíram a Usina Palmeiras – meu paraíso extinto onde moramos na melhor época de nossas vidas!; Rochas moraram na mesma estrada, na fazenda Montevidéo, onde meu avô Francisco Rocha fora feitor, e meus tios – e minha mãe! –, nasceram! Meu avós Rocha, depois, moraram na rua Lacerda Franco, que vai desembocar exatamente na Avenida Leme. Meu pai, antes de mudarmos para esta usina, teve uma leiteria na rua Albino Cardoso, que forma uma bifurcação com a Lacerda Franco. Como se vê, por gerações e gerações, Daltros e Rochas se deslocaram e conviveram nesta importante espinha dorsal que era a principal via da Araras antiga por boa parte deste período.

Mas, se posso falar em luditas modernos – e não estou se referindo à mim –, ou melhor, em uma espécie diferente de ludista: luditas "negativos", luditas ás avessas, diria que são os capitalistas chineses! No caso, são os verdadeiros responsáveis pela ruína de nossas tecelagens! Sim, a onipresente China capitalista e sua competição selvagem desonesta!

Mas a coisa não parou por aí, pois há outras espécies de luditas às avessas nesta cidade, como, p. ex., certos empresários do ramo imobiliário, que mal vêem um terreno baldio, uma empresa fechada, uma casa antiga ou um casarão centenário, e dirigem para eles toda a sua sanha e cobiça imobiliária, fazendo tabula rasa de tudo! E nisto se inclui também os proprietários desses imóveis, que detestam tudo o que é antigo, não importa a história que há por detrás deles! E nisto, amigos, quanta coisa linda e de extrema importância histórica se perdeu! Araras já foi a terra de dezenas de tecelagens (e quanto casais ararenses não nasceram aí!), de inúmeras fábricas de mandiocas e de olarias sem fim! E onde foi parar toda essa maravilha? Não vou comentar aqui.

Ah, aquele pequeno trecho de rua em frente à Textil São Nicolau, quanto frequentei e quantas histórias vivi ali, eu, meus irmãos e amigos! Ali, aos 5 anos, fui ao circo pela primeira vez e ouvi todo feliz pela primeira vez a canção "Datemi un martello" com a sensação da época, a cantora Rita Pavone! Nesta mesma época, ali também, ouvi deslumbrado pela primeira vez o "martelar" incessante de uma velha araponga que ficava numa gaiola do posto do Henrique Volpi! Ali também o bar do velho Espica, onde tantos doces comprei e tantas caronas para a Usina pegamos ao sair mais cedo da escola! O último ponto de ônibus da Usina dentro da cidade, que nos recolhia ali todo final de tarde!

E eu fico pensando em todas estas maravilhas e seu melancólico final... e perguntas teimosas vem martelar minha inquieta cabeça: Até quando esses luditas às avessas vão destruir tudo? Quais serão seus próximos alvos? Como lutar contra eles? É quando me vem à cabeça a velha sentença do Caetano Veloso, que dizia da "força da grana que ergue e destrói coisas belas"!... Não, eu não me conformo, nunca me conformarei, e enquanto existirem luditas às avessas nesta cidade, haverá este "ludita positivo", o neoludita Wenilton, que com sua pena combaterá ferrenhamente para preservar nossas coisas belas que a maldita "força da grana" destrói sem piedade!

FONTE:
http://www.vitrallis.com.br/
http://pt.wikipedia.org/wiki/Ned_Ludd
http://www.abrazrj.com.br/index.asp?pageURL=48&NOticia=5&sector=0

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

PENSAMENTOS DE UMA TARDE DE QUARTA-FEIRA


CASAL 20
Namora-se 10 anos às mil maravilhas, mas basta 1 ano de casado para que podridões venham à tona.
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ESTATÍSTICAS
Os conselhos crescem aritméticamente; os boatos, geometricamente.
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COMO DIZIA O CINÉFILO
Espero findar meus cem anos de solidão, e viver com ela nove semanas e meia de amor: vai ser a primeira noite de um homem!
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MONDO CANE
Em geral, temos Q. I. em excesso para fazer as mais complicadas experiências, mas não Q. E. o suficiente para praticar a mais simples das moralidades.
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LÍNGUA PORTUGUESA
O diferente está para o diferir, asim como o indiferente está para o indiferir. Não, burro, o indiferir não existe!
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GEOMETRICAMENTE FALANDO
Duas linhas paralelas só se encontram no infinito, porque ambas anseiam pelo mesmo ponto de fuga.
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RELATIVIDADE
Eu não consigo voltar ao passado, mas que a minha vida tem sempre andado para trás, ah, isso ela tem!...
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LOVE SCENES
E pensar que naquela minha velha o paixão eu gastei o meu maior e melhor amor! Espero nunca mais tentar ser tão feliz! E nunca mais ser tão triste!...
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COMO DIRIA O PSICÓLOGO
Fala-me da tua hidrofobia, e eu falarei do teu mau cheiro.
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TERRA BRASILIS
O populismo antecede as eleições. O nepotismo sucede.
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DO ALÉM
“É melhor morrer de pé, encostado num barranco, que viver de joelhos, prestes a levar um tiro de misericórdia.” (Emiliano Zapata piscografado)
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MELHORANDO FRASES
Isto é sagú! Caviar uma ova!
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DIA MUNDIAL DA ESTATÍSTICA (responda rápido)
Se o instituto Gallup dá o maior ibope, o instituto Ibope dá o maior gallup?
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VIOLÊNCIA E ALIENAÇÃO
Disputas, velocidade e futebol: verdadeiras alegrias da infância , que, nos adultos nem sempre funcionam muito bem.
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CONVERSINHAS INFAMES (imaginando o Chaves e o Seu Madruga)
- Chaves, seu tonto, chorando só porque está cortando a porcaria de uma cebola!
- Não, não é isso, Seu Madruga!...
- Porque então?
- Esta cebola é só o que eu tenho para comer!...
- Glup!
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segunda-feira, 17 de setembro de 2012

RECEITA SIMPLES e INFALÍVEL PARA SE FAZER CIRCULOS INGLESES!!!

"São esses círculos nas plantações - eles não
são uma farsa e não se pode fraudá-los. Mas que
são, eles, ninguém até hoje foi capaz de explicar."
(Aleksei Arkhipovich Leonov, cosmonauta
soviético, o primeiro homem a "caminhar"
no espaço. UFO, nº 230, jan. 2016, pág. 44)

                                                                                                    

Imagine um desenho qualquer que ficaria bonito visto do alto, e desenho bem complexo de preferência - quanto mais complicado geometricamente, melhor. Se o terreno e a plantação onde será feito o trabalho forem teus, ótimo; do contrário, escolha uma área bem plana e de difícil acesso, e é bom escolher uma em que o proprietário não more perto. Depois, num computador, obtenha um mapa aéreo do terreno e sobreponha num programa gráfico, o desenho sobre a plantação. Em seguida, coloque todas as coordenadas necessárias para se transferir o desenho in loco.

A equipe que fará o trabalho deverá ser composta por pessoas que não fazem nada da vida, não curtem dormir de noite, e se forem velhinhos melhor, mas velhinhos com muita inteligência, talento artístico, energia e visão aguçada (lembre-se que, tempos atrás, dois velhinhos ingleses se apresentaram como autores de tais desenhos). Vocês terão o prazo de mais ou menos 8 horas para fazer os desenhos, isto, cuidando para que ninguém veja - até o momento é a regra geral! Se a equipe não for composta por loucos e desocupados como você, prepare-se para descolar uma boa grana pelo pagamento dos serviços prestados.

Depois, munam-se de ferramentas manuais (as que você imagina que servirão). Poderão ser usadas trenas quilométricas, balizas, cordas imensas para se fazer círculos, vários GPS e lap-tops, e muitos teodolitos (com visão infra-vermelho). Os Círculos Ingleses já tem mais de 30 anos de existência, e surgiram numa época em que ainda não existia GPS, de modo que sua equipe usando este aparelho poderá realizar as marcações com mais rapidez e eficiência. Para se confeccionar o desenho, servirão as próprias mãos (com luvas), alfanjes, foices e facões. Lembre-se que, antes, deverá ser providenciado um caminhão cheio de estacas e rolos de barbante a serem utilizados nas marcações. Lanternas não poderão ser usadas pois poderão denunciar a presença da equipe no local (e torça para ser Lua cheia, mas já vou avisando que ela não ilumina muito!...). Leve galões de água e chá quente, pois estes lugares costumam ser frios e brumosos, e brumosos à tal ponto que você pode não enxergar nada!...

Lembre que os quatro cantos da área escolhida terão de ser monitorados constantemente, de modo que nenhuma pessoa suspeita apareça! A polícia, ou fazendeiros armados com espingardas e cão raivosos, constituirão um enorme perigo! Lembre-se também que animais selvagens, que podem ser perigosos, podem estar ocultos em meio à plantação; portanto, se previna e vá armado, por mais incômodo que seja levar uma arma à tiracolo nestas horas...
Um conselho: se puder descolar uma daquelas máquinas imensas (não me recordo se elas são invisíveis, mas devem ser) que alguém geniosamente criou (dizem...) para fazer tais desenhos gigantescos, será tudo mais fácil. Ao transportá-la até a área de trabalho, faça-o com cuidado e total segredo, pois as pessoas que porventura te verem passando com ela pela estrada, irão querer de toda maneira fotografar este estranho aparelho e saber do que se trata!... E cuidado com a polícia, pois você, logicamente, não tem permissão para trafegar com uma geringonça dessas pelas estradas vicinais e rodovias. Se o terreno for teu, as coisas serão mais fáceis, pois, logicamente, você terá um imenso galpão para escondê-la à salvo de reporteres abelhudos. Ah, esta máquina, com certeza muito cara, e se você não for rico, melhor usar as mãos e os aparelhos comuns mesmo!!!...

Mas vamos continuar a receita levando-se em conta que você não pode dispor de tal máquina. Depois de todo marcado e balizado o imenso terreno, comece o trabalhinho (simples e rápido) de manipular as plantas que resultarão na tua sonhada obra-prima. O ideal, para ficar mais fácil o trabalho e a marcação dos desenhos, seria remover as plantas, mas como se são elas que darão vida à figura?!... Mas, para você que já colheu capim para jumentos e os amarrou em fardos depois, é tudo muito fácil, não é?... Grupos de plantas terão de ser torcidos de modo que façam sombras; outras que façam brilhos ou contrastes; outras serão cortadas, umas totalmente (a maioria) e outras em tufos com altura variável; as espigas, mantidas ou ocultas, assim como a remoção das folhas, ajudarão em nuances sutis dos desenhos; a altura e a torção impostas farão com que as plantas criem sutilezas quando vistas do alto (e, convenhamos, isso é muito simples de se fazer, eu te garanto!)

 Enquanto isso, alguém ficará lá em cima no céu, no meio da noite, num aparelho aéreo qualquer flutuando e orientando a equipe por meio de rádio, e é bom que seja em completo silêncio para não despertar pessoas, vizinhos, fazendeiros, etc. Creio que pelas proporções dos desenhos (depende de tua ambição) e do tempo a ser despendido, serão necessários várias pessoas dentro do aparelho com rádios, orientando os que estão em terra, estes com seus rádios próprios também. As luzes e lanternas do tal aparelho terão de ser mantidas desligadas, de modo que ninguém note que você ou ou sua equipe estão bulindo ali, quero dizer, estragando plantações, embora fazendo maravilhas... Quanto ao problema de como as pessoas do alto enxergarão o que está
sendo feito lá embaixo sem luz alguma, fica para você resolver. Este é um ingrediente da receita que eu não tenho!... Talvez óculos infravermelhos resolvam, mas, de todo modo, fica para você resolver... A esta altura, você já deve ter imaginado os probleminhas simples que surgirão nas comunicações, bem como os desentendimentos inevitáveis... 

As orientações deverão ser precisas, e erros não poderão ser cometidos em hipótese alguma, como tombar tufos de plantas de modo errado, ou, pior ainda, cortar plantas não especificadas no projeto. Felizmente, ao que consta, ninguém errou um desenhos desses até hoje, e nenhum deles foi abandonado por qualquer erro ocorrido.

Se a polícia aparecer, abandone o trabalho imediatamente e tudo o que você levou, e se mande rapidamente dali, pois poderá arrumar uma encrenca dos diabos. 
Quanto ao tal aparelho aéreo, um balão seria muito grande e facilmente seria identificado por pessoas passando pelo local. Um helicóptero chamaria mais a atenção ainda, mas o verdadeiro problema, vale lembrar, seria a quantidade de combustível necessária para se trabalhar por horas à fio. Lembre-se que, se você for pobre, esqueça-os e faça tudo sem referências aéreas mesmo...

À esta altura, creio que algum gênio (talvez o inventor da máquina de desenhar), já tenha inventado um aparelho aéreo adequado e altamente tecnológico para tal, em suma, um aparelho silencioso e invisível, movido à energia solar, mas se você for pobre, ihhhh!...

Com todas estas dicas simples, tenho toda a certeza do mundo que, ao cabo de no mínimo 7 horas de trabalho, a equipe terá feito uma verdadeira obra-prima em meio à escuridão, obra esta, de tal precisão e complexidade, que jamais constou em qualquer bienal deste planeta! E o mais incrível ainda, tudo realizado sem que ninguém tenha visto quem são esses grandes artistas que trabalham na calada da noite, gênios incógnitos e humildes que esnobam peremptoriamente a fama, o dinheiro e o glamour das bienais!!!...



A maior glória, por outro lado, será, no mínimo, fazer as pessoas de palhaço, pessoas estas que se digladiarão para saber quem fez tal obra de arte, digo, enigma assombroso. Umas, se perderão em mil conjeturas e divagações, dirão de "conspirações de extraterrenos", de "pegadinhas de ETs" etc; outras, fotografarão, reproduzirão e lançarão seus trabalhos acadêmicos sobre tal; outras ainda levantarão mil teorias, compararão os desenhos com outros desenhos milenares, com charadas matemáticas, enigmas cabalísticos e afins. Eis tua maior glória, seu maluco genial!

Pensando bem, a Inglaterra deve estar repleta de gente assim - ricos, loucos e desocupados -, enfim, malucos de toda a sorte que gostam de investir em passatempos bizarros, ainda que os resultados sejam maravilhosos! Mas, caramba, onde se esconde essa gente? Quem são eles? Porque não se identificam e ficam famosos de uma vez?!...

E se tudo der errado em tua empreitada de fabricar Círculos Ingleses, amigo, não me venha você depois com conversinhas infames mais malucas ainda, tipo de ETs zoando com a nossa cara, abusando com a nossa boa-fé e outros achaques!!! Onde de já se viu!!!...

A RUA TIRADENTES EM ARARAS - UM DESERTO DE ÁRVORES!!!...
























Caros cidadãos ararenses, venho através deste post falar aqui de um problema de suma importância, e que passa despercebido pela maioria das pessoas: a falta de arborização nas ruas centrais de Araras. A foto ilustra perfeitamente o que é hoje a mais famosa rua do comércio central da cidade, a rua Tiradentes: uma passarela imensa onde o número de árvores nas calçadas está quase próximo do zero! O mesmo se dá com outra rua comercial, a Júlio Mesquita, e muitas outras ruas do centro. Duvidam? Pois então abram o Google Map e chequem nas fotos aéreas a gritante ausência de árvores. No trecho mais comercial da Tiradentes, compreendido entre as ruas Armando Salles de Oliveira e Chico Pinto, foram contadas apenas 10 árvores nas calçadas, num espaço que em que se alinham 10 quarteirões, sendo que a maioria deles não têm árvore alguma!

Como se sabe, desde a década de 50, quando a cidade começou a colecionar prêmios como uma das cidades que mais se desenvolve no Brasil, com a urbanização e o desenvolvimento industrial, o número de árvores, áreas verdes e quintais arborizados caiu drasticamente na zona central cidade, e esta rua é um perfeito reflexo dessa postura.

É óbvio que ninguém quer uma árvore em frente ao seu estabelecimento, porque, alegam, elas impedem a livre visualização de sua loja, de vitrines e letreiros da fachada, e até mesmo dizem que impedem o livre trânsito dos clientes. Isto para não falar do quesito "vaidade", o de exibir sua loja (e residência) sem entrave algum!... Não sou da opinião que uma pessoa sempre deva olhar para cima para procurar o estabelecimento onde irá comprar toda vez que for ali - quem visitou uma loja uma ou duas vezes, o endereço já estará mentalizado é só voltar ao lugar sem problemas. Além disso, o que mais interessa às pessoas é o que está dentro dela e não fora. Quanto ao "livre trânsito dos clientes", com certeza, há mais carros nas ruas, seja estacionados, seja de passagem, que árvores nas calçadas impedindo o "ir e vir" dos clientes. Esse trecho de rua, aliás, já devia ter sido transformado em calçadão há muito, e mais, ser intensamente arborizado, mas "motivos comerciais" insensatos impedem que isto aconteça!...

O problema é que, em dias de verão, essa "rua pelada" se torna um lugar desagradável, pois fica excessivamente quente e abafado. Mas, o que causa essa chamada "ilha de calor" nesse longo alinhamento de prédios? Como se sabe, as ilhas de calor urbanas são regiões com temperaturas mais elevadas que o normal, pelo fato der reterem calor nas edificações devido à falta de vegetação, acarretando também a problemática diminuição da umidade relativa do ar. Edificações cobertas com materiais que absorvem calor, como as telhas de amianto, comuns em grandes galpões, também aumentam sensivelmente o calor nestas áreas. Isto para não falar no trânsito intenso de carros e sua consequente poluição. O problema é tão grave que especialistas em aquecimento global chamam esses locais de "desertos artificiais". Outro problema comum, é que a falta de árvores também diminui a biodiversidade, além de comprometer as funções estética e de lazer. Indo mais fundo ainda, diria que nestes locais, em dias de verão, é aumentada a pressão arterial das pessoas com predisposição para essas doenças.

A que pergunta que fica é: realmente o comerciante (e o cidadão) ararense age como se realmente morasse na chamada "Cidade das Árvores"? Não nos esquecamos que Araras foi a primeira cidade na América do Sul a realizar uma festa em homenagem às árvores, e considerada por publicações especializadas como o “Primeiro movimento brasileiro de tomada de consciência do problema ambiental”, e até mesmo o “Primeiro movimento ecológico brasileiro”!

Jamais nos esqueçamos que o bosque plantado por ocasião desta festa em 1902, se localizava abaixo da praça “Martinico Prado”, e em 1947, por questões imobiliárias (sempre elas!), foi colocado abaixo! Depois, em 1985, houve outra atitude semelhante: era posto abaixo o belíssimo  Horto Florestal do Loreto, um agradável recanto que, inclusive, devido a sua importância, foi citado no livro “A Onda Verde” de Monteiro Lobato em 1920, lembrando-se que seu criador – o visionário Navarro de Andrade – foi o pioneiro na introdução do eucalipto no Brasil, com a sábia intenção de preservar matas nativas e abastecer as locomotivas com lenhas de plantações desta espécie. Constituía ele um excelente recanto para amantes da natureza, ideal para piqueniques, treckers, ciclistas e os que gostavam de se enveredar e se perder por seus sossegados aceiros. A ruína começou no início da década de 80 com a contrução dos conjuntos habitacionais "Nosso Teto", enquanto canaviais das redondezas permaneciam incólumes!... Ao contrário do seu “irmão” rio-clarense, nosso horto não foi tombado, e, infelizmente, quase recebeu o golpe de misericórdia em 1997, quando novos trechos foram desflorestados para dar lugar a assentamentos!... e os canaviais observavam tudo impassíveis!...
 
Enfim, comerciantes da rua Tiradentes (e outras ruas comerciais), que tal agirmos como se realmente fossemos habitantes da Cidade das Árvores, e, portando-se como cidadãos seriamente preocupados com questões socioambientais, inverter esta crítica situação, cada qual plantando uma árvore adequada em frente ao seu estabelecimento?! Não sou pessimista, mas duvido que estas palavras surtirão algum efeito, e, assim sendo, a única saída será a própria Prefeitura tornar isso uma medida obrigatória!... Ou será que teremos de continuar a viver hipocritamente, ostentando um título "para inglês ver", esse, o da "Cidade das Árvores"?!...

INCONTESTÁVEIS MOTIVOS PARA A REARBORIZAÇÃO DA TIRADENTES!

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quarta-feira, 15 de agosto de 2012

AVE FOLCLÓRICA SE INSTALA NA PRAÇA BARÃO DE ARARAS

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Além de ornitólogo amador e pessoa de ouvido refinado, versado nas vozes da natureza, sou velho frequentador da praça Barão de Araras como observador de aves, de modo que qualquer pássaro novo que aparecer ali e cantar dificilmente escapará à minha atenção. Foi o que (novamente) aconteceu no sábado passado de manhã, dia 11.

Pois bem. Saindo de algumas compras na loja Seller, tão logo adentrei a praça, ouvi quatro assovios fortes e vibrantes, e disse para mim mesmo: “Tem ave nova na praça, e deve aquela tal ave folclórica!” Como quase sempre ando com uma máquina fotográfica à tiracolo, tentei localizar a ave no altos de um pé de Sibipiruna, mas nada de encontrá-la!... De repente, a ave parou de cantar e lamentei: “Mas onde esta bendita foi parar?!”
Parti frustrado, e quando já ia atravessando a praça do outro lado, eis que ela volta a cantar! Peguei a máquina e voltei à sua procura. Nisto, pude vê-la lá no alto das folhagens, e notei que parecia ser mesmo a ave que eu desconfiava – e vale dizer que eu já estava à espera dela na praça há tempos! Explico. Há cerca de 4 meses, estive em São Paulo, e em pleno centro da Praça da Sé, pude ver incrédulo esta avezinha cantando à pleno pulmões, isto como se estivesse à vontade em plena Serra do Mar! A tal avezinha era, nada mais nada menos, que a popular Jugovira, que quem mora na zona rural de Araras muito bem conhece, ou pelo menos a ouviu, que é ave impossível de não ser notada por seu canto. Me refiro ao Cyclarhis gujanensis, ave que por certas características suas tornou-se folclórica em todo o país. Quando fiz, em 1992 (abaixo), um levantamento das aves que frequentavam a cidade, desde a periferia até a zona central, ela ainda não era vista na praça Barão, e eis que, finalmente, exatas duas décadas depois, parece a Jugovira veio para ficar! Sorte nossa!



O que aconteceu à este pássaro, a ciência dá o nome de Sinantropia, ou seja, o fenômeno pelo qual um animal selvagem adapta-se ao meio urbano, lembrando-se que outras aves já passaram por isso, inclusive na praça Barão, como se deu em janeiro do ano passado, envolvendo o pássaro Ararapaçú-do-cerrado (Lepidocolaptes angustirostris), que já foi visto procriando nas praças centrais da cidade, inclusive, tendo ele um canto que chama muito a atenção, pois consiste de uma espécie de gargalhada descendente diferente de tudo o que e ouve na cidade. O que mais intriga neste fenômeno da sinantropia, é notar que, por algum motivo, motivo este que imagino ainda não desvendado, diversas aves invadiram as zonas urbanas de cidades muito distantes uma das outras, e isto, todas num mesmo lapso de tempo! Inclusive, aves de ambientes aquáticos, e arredias aí, passaram a ser vistas em movimentadas zonas centrais de cidades e em lugares onde nem mesmo há água our refúgio semelhante disponível!

Pouco maior que um pardal, a Jugovira é, no entanto, ave difícil de se ver, mas é facilmente reconhecível, pois tem o corpo verde-oliva claro, os olhos em tons que vão do amarelo ao vermelho, cabeça grande e bico grosso lembrando um pouco um bico de papagaio mais comprido.

Na época de reprodução, quem tem habilidades para imitar pássaros – como este que voz escreve – facilmente poderá atraí-la, ou pelo menos atrair as aves mais novas que não têm tanta malícia. Dois exemplares foram vistos – e podem ser um casal –, indício de que podem vir a procriar na praça este ano mesmo (de julho e novembro) e aumentar sua população, se espalhando assim para outras praças, como a da Biblioteca, do Tiro de Guerra e o Lago Municipal, onde, à esta altura, com certeza já frequenta. O naturalista Eurico Santos escreveu: “O casal vive numa harmonia perfeita e parece que deveras se amam muito. Quando um bárbaro caçador abate um dos consortes, o outro facilmente pode também ser sacrificado, porque não se afasta do local onde caiu o companheiro, procurando-o, chamando-o, numa evidente ansiosidade.” E é interessante observar o casal a se chamar mutuamente por horas à fio, enquanto se alimentam pelo arvoredo. Também ocorrem duelos de machos que vocalizam intensamente quando um se aproxima do território de outro. Abaixo, filagem da Jugovira num pé de Sibipiruna na praça Barão de Araras.

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Existe desde o México, indo até a Argentina, onde o povo diz que ela canta: “Don Libório, Don Libório”, ou “Caballero, Caballero”, ou ainda ou ainda “Juan Chiviro”, nomes que remetem à sonoridade de seu canto, fato que também ocorre em nosso país. Constataram que a fêmea tem seu próprio canto e o macho apresenta oito cantos diferentes, por isto, a ave recebe um batismo diferente em cada região, como: “Tem-cachaça-aí” (Espírito Santo) ou “Pitiguari” (Pernambuco). O ornitólogo Dalgas Frisch escreveu que há pessoas que (pasmen) interpretam seu canto como “A chocolateira quebrou!”... O nome se refere ao antigo utensílio usado pelos tropeiros para fazer chá ou café. Outro nome, muito comum desde a Bahia, é Gente-de-fora-vem, e isto devido à uma particularidade sua, que, dizem, é a de cantar toda vez que vê um ser humano se aproximando do sítio, fazenda ou mata onde ele se encontra. A mesma reação se dá com anuns, quero-queros, pica-paus-do-campo e corujas-buraqueira, aves que tem aguçado senso de posse de território, e se mantém em contante alerta, dando alarme mal pressintam ameaça. Eurico Santos confirma o fato e diz que: “Na Paraíba do Norte crêem que, quando canta o Pitiguari, é certo que vai parecer visita ou, ao menos, uma boa notícia.” O folclorista Câmara Cascudo registrou outros nomes que remetem à mesma crença: “Olha o caminho, que vem gente” (Pernambuco), “Olha pro caminho, que já vem” (R. G. do Norte). Cascudo diz ainda que, em outros tempos, a ave avisava também de visitas sorrateiras em fazendas de homens tentando raptar donzelas!...
  
Sua fama levou a ser homenageada na música “Meu Pitiguari”, da dupla André & Mazinho, e também pelo violonista mineiro Tavinho Moura em “Gente-de-fora-vem” (da trilha sonora do filme “Noites do Sertão”). Curiosamente, “Meu Pitiguari” é o nome de uma companhia de danças de Santa Catarina, e “Gente-de-fora-vem” o de um grupo de teatro baiano.
  
Naquela vez em São Paulo, lembro-me que pensei comigo: “Mas, caramba, se a Jugovira existe no centro dessa loucura que é a paulicéia, porque não ocorre lá na calma praça Barão de Araras?! Daí, imagine-se naquele sábado a minha alegria ao encontrá-la finalmente frequentando a nossa velha praça! E, pensando bem, vai ser ótimo vê-la fixar-se ali, pois é ave que canta todos os meses do ano, tem repertório diversificado e volume muito alto de voz, tanto o é que naquele dia flagrei diversas pessoas na praça tentando ver quem fazia aquela cantoria toda. E isso enriquece muito a nossa praça: novos animais, novas vozes! Portanto, daqui para diante, se você estiver na praça Barão e gostar de observar os pássaros ali existentes, não precisará se esforçar muito para notar um canto alto e vibrante no alto das árvores, diferente de tudo que se está acostumado a ouvir pela cidade, e poderá conhecer então a lendária Jugovira, que provavelmente, ao te ver por ali, vai cantar dizendo “gente-de-fora-vem, gente-de-fora-vem!”...

Mas, enfim, é bom ver o Jugovira dividindo a cidade conosco? Sim e não. Do lado bom, desnecessário dizer. Do ruim, quase todos os seus antecedentes poéticos cairão por terra, e os seu histórico folclórico se anula na cidade: o seu canto misterioso se dilui em meio aos ruídos urbanos, e poucos ouvirão e entenderão os seus apelos “gente-de-fora-vem, gente-de-fora-vem!”, “gente-de-fora-vem, gente-de-fora-vem!”...

Jugovira, desde já, seja bem-vinda à nossa secular praça Barão de Araras, e que você procrie e cante muito aí!!!

Veja aqui outra ave folcórica que passou a frequentar a praça Barão em 2003, a belíssima Lavadeira!


PARA SABER MAIS:
Textos e fotos:
http://www.wikiaves.com.br/pitiguari
Ouça e memorize seus cantos:
http://www.xeno-canto.org/browse.php?query=cyclarhis+gujanensis

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

CONSIDERAÇÕES SOBRE O CAPUZ DO MITO SACI E O BARRETE USADO PELOS NEGROS ESCRAVOS DO BRASIL


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"Seu boné vermelho é mágico: aí reside o seu 'encanto', seu poder, sua capacidade excepcional para travessuras; apoderar-se do boné do 'capetinha' é dominá-lo. Pois bem: essa carapuça vermelha corresponde ao píleo usado, em Roma antiga, por escravos libertos, como símbolo de sua emancipação; e é irmão do barrete frígio vermelho usado pelos franceses após a queda da Bastilha, em 1879, simbolizando as recém-conquistadas liberdades democráticas. Mas o Saci não veio da Europa; deve ter surgido no Brasil (no sul-sudeste?) por volta do final do século XVIII, uma vez que não consta nenhuma citação a seu respeito, em escritos de sacerdotes, cronistas e viajantes dos dois primeiros séculos. Perece ter, na origem, alguma aproximação com o Curupira e com a ave chamada saci, também ligado às circunstâncias sociais da escravidão (como no caso do Negrinho do Pastoreio)"

Fonte: PELEGRINI FILHO, Américo. Literatura folclórica. Edit. Nova Stella - USP. São Paulo, 1986, págs. 43-44.

A pintura, de 1827, é do explorador Charles Landseer, um então jovem artista inglês em início de carreira, que foi enviado ao Brasil em 1825, integrando uma importante missão diplomática britânica. Notar o capuz vermelho do escravo junto ao pilar!

A associação da pintura ao texto do Pelegrini é minha, e quero insinuar que, realmente, a pintura pode validar a opinião do pesquisador, a de que o Saci é mito genuinamente nacional, e talvez surgido nesta mesma época!

terça-feira, 19 de junho de 2012

PRECOCES DEMONSTRAÇÕES DE UMA GRANDE AMIZADE!



O meu grande amiguinho Yan Matheus, por volta dos 2 anos de vida ou pouco mais, tinha a agradável mania de me contar tudo o que ele via ou aprendia na escola Dentinho de Leite. Todo final de tarde era a mesma coisa: mal ele me via, vinha todo feliz me falar das novidades daquele dia. Eram esses um dos momentos mais agradáveis do dia, que era um verdadeiro prazer ouvi-lo nestas horas contando todo empolgado as novidades trazidas da escolinha!

Um certo dia, estando eu, como sempre, com minha máquina fotográfica - e fotografar o Yan era a minha grande alegria -, ele fez questão de me mostrar um gesto que aprendera naquela tarde: ele pegou minha mão e me fez abaixar à altura dele. Depois, como se fosse me contar a coisa mais legal do mundo, se ajoelhou sobre uma só perna, inclinou sua cabecinha para o lado e se deixou fotografar! E eu fiquei ali, intrigado, tentando decifrar o que significava para ele aquela pose e o que ele queria me passar. Era um gesto inocente, mas incomum numa criança de sua idade, e isto mexeu comigo a tal ponto, que eu tentei, de alguma maneira, saber como ele havia aprendido aquilo, quem lhe havia ensinado, ou se ele viu alguém ajoelhar-se daquele modo, gostou da pose e o imitou, mas, por mais eu que tentasse, ele nada conseguiu me dizer. Era compreensível, pois, com a idade que tinha, o Yan ainda não sabia se expressar com clareza.

 O ajoelhar-se, desnecessário dizer, é um gesto corriqueiro entre os religiosos no mundo inteiro, mas não creio que o Yan aprendera o gesto quando, talvez, lhe ensinaram a orar na escolinha, pois não é comum neste ato alguém se ajoelhar sobre uma só perna, mas sim com as duas. E a expressão de seu rostinho não era de um tom de súplica, de alguém que, contrito, pede algo em silêncio, mas atitude de discreta alegria. Além disso, ele não juntou as mãos em prece e inclinou a cabeça para baixo, mas o fez todo satisfeito, dizendo: "Veja, tio, que legal!"

Fiquei por anos à fio com essa imagem na cabeça, sem saber o que o meu amiguinho quis me passar com esse gesto aquele dia, mas, depois que vi na TV essa mesma pose feito por um ator, é que fui me dar conta daquilo o pequeno Yan talvez houvesse visto e imitado: era um gesto teatral, o típico gesto de reverência, comum nos filmes antigos, em que um cavaleiro se ajoelha diante de um súdito, retira seu chapéu colocando-o no peito, e o reverencia. Muito provavelmente, o Yan deve ter visto um vídeo ou uma encenação teatral na escolinha e achou interessante o gesto de agachar-se sobre uma só perna.


No começo deste ano, um jogador da NFL, a liga profissional de futebol americano, o quarterback Tim Tebow foi considerado a grande sensação da temporada por seu gesto de ajoelhar-se desse mesmo modo após cada jogo, embora o fizesse como se estivesse orando. O ato virou mania nos meios esportivos e, desde então, tem sido repetido em diferentes circunstâncias. E o ibope foi tanto que surgiu um blog no portal Tumblr, o Tebowing, que coleciona imagens feitas pelos internautas. Em menos de uma semana, após o gesto de Tim na quadra de esportes, o site tinha recebido mais de 120 mil vistas. Surpreendentemente, o "tebowing", como passou a ser chamado seu gesto, tem influenciado religiosos e ateus no mundo inteiro, e já foi um dos assuntos mais populares no twitter dos EUA na ocasião.

Quanto ao gesto do pequeno Yan, vou atravessar a existência com essa doce imagem gravada em meu coração, mesmo sem saber ao certo o que aquilo significou para ele e o que ele queria me passar. Para mim, mesmo sem saber do que se tratava realmente, o gesto significou muito, e eu já vou dizer o porquê. Obviamente, não era uma repetição do tebowing, embora o Yan saíra da escola aquele dia com uma satisfação igual à de um jogador que vencera uma grande partida; aliás, o tebowing aconteceu anos depois de o Yan me mostrar esse gesto. Tampouco, repito, se tratava do tradicional gesto religioso. Vale dizer que, hoje, embora há tempos eu não o veja, eu considero o Yan o meu melhor amigo, e desconfio que a recíproca é verdadeira. Nem quero comentar da imensa saudade que sinto dele, de sua companhia cativante. Enfim, como se diz, sonhar não custa nada, e, às vezes, eu me ponho a imaginar que se aquele dia o Yan, estando com seu bonezinho na cabeça (que ele aprendeu a usar comigo), que lindo seria ele me mostrando esse gesto secular, se ajoelhando diante de mim e levando o boné ao peito, reverenciando aquele que talvez seja o seu melhor amigo, e que tanto gostava de brincar com ele e fotografá-lo em todas as ocasiões!...
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