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quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

A CHEGADA DA TELEVISÃO EM ARARAS, HÁ 60 ANOS...


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Em pleno advento
da era da TV digital no País, é oportuno saber como se deu a chegada da televisão em nossa cidade, data esta que seria as bodas de ouro no ano passado, mas como os jornais da cidade me fecharam as portas (e a data passou em branco para os três jornais!...), esta matéria não pode ser vista pelo povo ararense. Poucos se recordam deste cinqüentenário episódio, pois não houve uma inauguração oficial do serviço em Araras, uma vez que já no segundo trimestre de 1957, alguns cidadãos mais “apressados” já haviam comprado televisores em outras cidades e puderam sintonizar os canais por meio de antenas instaladas em Valinhos, e depois Limeira. Finalmente, na primeira semana de fevereiro do ano seguinte, com o funcionamento da antena local e o início da venda de televisores na cidade, Araras pode contar com sua própria transmissão de sinais. Na foto do autor, o atual parque de transmissões do Jardim Piratininga.
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No entanto, oito anos antes, em 18 de setembro de 1950, com muita improvisação, a televisão já havia sido inaugurada no Brasil, com o início das transmissões da PRF-3 TV Tupy-Difusora em São Paulo, emissora pertencente à rede dos Diários Associados de Assis Chateaubriand, que foi a primeira emissora a operar na América Latina. Na inauguração, com o programa “TV na Taba,” estavam nada mais nada menos que Lima Duarte, Lolita Rodrigues e Mazzaropi. O visionário Chatô já era um velho conhecido de Araras, uma vez que, em 1942, viera inaugurar o nosso “Campo da Aviação”, fruto de outra iniciativa sua, a campanha “Asas para o Brasil”.
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Na figura, o primeiro logo da televisão brasileira – o “mascote” da Tupy – o popular indiozinho curumim, com seu indisfarçável jeitão de Gasparzinho, uma marca que o pessoal da época jamais esqueceu.
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Sobre a novidade, em março de 1957, o extinto Jornal de Araras trazia trouxe uma alvissareira notícia sobre a possibilidade da vinda da nova maravilha tecnológica à cidade: “Com a instalação de uma antena receptora e transmissora, no ponto mais alto da Valinhos, é bem provável que Araras venha a ser incluída entre as cidades que poderão assistir os programas de televisão apresentados pelas emissoras paulistanas. O fato é que dentro de pouco tempo, 35 cidades interioranas estarão ligadas por estações retransmissoras graças aos esforços de uma indÚstria paulista, que anonimamente vinha providenciando a aparelhagem.”
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Em outubro, uma nova notícia anunciava que, com a ultra-freqüência, Araras já podia assistir aos programas de televisão. A Tribuna do Povo, por sua vez, noticiava:“Muito possivelmente, até novembro próximo, os ararenses poderão também usufruir das transmissões televisionadas pelos três atuais canais de televisão da Capital Paulista”. Os compromissos seriam firmados entre três empresas, duas ararenses, dos pioneiros Alaor Kammer e Laerte Franzini, proprietários da Kammer Eletrolar e da A Iluminadora, respectivamente, em parceria com a Indústrias Elétricas Fixolux Ltda., da capital, que se encarregaria de instalar as torres de recepção em Araras. A reportagem findava sem entrar em detalhes, dizendo que a empreitada só se concluiria “caso se alcançasse um número de interessados pré-estabelecido.” Neste mesmo mês, o Jornal de Araras alertava: “Para efetivação dessa instalação basta que a cidade tenha 100 televisores com U. H. F. Naturalmente os primeiros subscritores terão a vantagem da instalação da antena que será feita pela firma fornecedora do aparelho U. H. F. gratuitamente”. A reportagem trazia uma lista com os primeiros subscritores.
Na foto, Orlandinho Zaniboni, durante a 1ª transmissão dos serviços de televisão em Araras, nos altos do Jardim Piratininga.
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Em de janeiro do ano seguinte era iniciada a construção dos retransmissores nos altos do popular “Morro do Cuba” – o atual Jardim Piratininga. Um técnico que já havia feito instalação semelhante em Santos foi contratado para o serviço. As transmissões chegavam no sistema UHF, depois convertidos para VHF. Dizia a Tribuna: "Dentro do prazo de 30 dias, em caráter experimental, o serviço acima estará montado, com um canal de TV em franco funcionamento; e dentro do prazo de 90 dias, e caráter definitivo, os três canais paulistas". Quanto aos televisores que desde março de 1957 vinham funcionando em Araras, recebendo sinais através da antena de Limeira instalada nos altos do Morro Azul, o senhor Laerte Franzini advertiu que eles não conseguiriam "sintonizar as transmissões da torre a ser instalada em Araras", devido ao sistema diferente de transmissão das antenas.
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Na primeira semana de fevereiro, a Tribuna anunciava que, finalmente, “o povo aderia a televisão”, chamando a atenção para o fato de que "de uns dias para cá muitas antenas foram erguidas pela cidade”. Dizia também que a venda de aparelhos duplicara na cidade, “ou talvez, chegou até a triplicar”.
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O primeiro anúncio de venda de televisões (ao lado) foi publicado na Tribuna no dia 6 de fevereiro de 1958. Curiosamente, esta loja era propriedade do pioneiro Laerte Franzini, um dois responsáveis pela construção da primeira torre de transmissão.

CURIOSIDADES 
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Segundo o escritor Alcyr Matthiesen, na cidade, o “primeiro aparelho de TV 16 x 9 foi adquirido pelo senhor Dante Rodini”. Fato curioso mesmo nesta época, foi um anúncio na Tribuna, em que uma loja local, a Rosenthal & Cia. – que se auto-intitulava “A Cidade dos Móveis” – alardeava que estavam à venda em sua loja televisores “com 100% de funcionamento”... É que todos os aparelhos de TV tinham de passar por uma pequena modificação antes de sua instalação, para que as “recepções fossem mais satisfatórias”. 

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 Orlando Fugagnolli, um dos pioneiros a montar, nos anos 1950, uma TV em Araras. Faleceu em 09-06-2013, aos 79 anos
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PERGUNTAS E RESPOSTAS...   
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E o advento da TV em 1958, já chegava causando furor na cidade com suas novidades: em julho, a ararense Ruth Marquezani Dezotti era contemplada com uma máquina de costura da marca Leonam, no pioneiro programa desse gênero ainda tão em voga, o famoso “Perguntas e respostas”, da Tupi-Difusora, canal l3, patrocinado pela Cera Verniz Fidalga, apresentado por Aurélio Campos, cuja principal atração fora a então famosa cantora Marlene.

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TRANSMISSÕES CLANDESTINAS, JÁ NAQUELA ÉPOCA!...
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CÁPSULA DO TEMPO 
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Se retornássemos em 1958, quais seriam os programas que poderíamos assistir? Alguns exemplos: o famoso “Almoço com as estrelas” com Lolita e Airton Rodrigues; o célebre “Um instante, maestro” com o polêmico Flávio Cavalcanti, ou o então saudoso “Discoteca do Chacrinha”. As crianças da época se deliciavam com o “Capitão 7” – o primeiro seriado de aventura, exibido entre 1954 e 1963 –, ou mesmo o velho “Sítio do pica-pau-amarelo”, no ar desde 1950. Novelas? Haviam sim, destacando-se as famosas “Sétimo Céu”, “A Muralha” e “O Direito de Nascer”. Como se vê, as coisas não mudaram muito...

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VÁLVULAS & TRANSISTORES x CHIPS & FIBRAS ÓTICAS
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Do antigo padrão hi fi (alta fidelidade) para o high definition (alta definição) houve sensíveis mudanças, mas uma pergunta que vem a calhar: se um moderno televisor LCD de 40 polegadas, tela de cristal líquido de alta definição e som surround é, em termos comparativos, mais caro que um televisor de 1950 de 12,5 polegadas, preto e branco com som mono? Surpresa: não! Um televisor GE, à venda na antiga loja Sears, em setembro de 1950, custava 12.950 cruzeiros, o que daria hoje, corrigido pelo IGP-DI, R$ 9,7 mil, enquanto que um televisor digital sai no máximo por R$ 8 mil (cotação do início de 2008).

Sabe-se que, na inauguração da TV em São Paulo havia cerca de 200 aparelhos em funcionamento. Em 1958, como se viu, Araras iniciou suas transmissões com 100 aparelhos, e hoje, sendo ele um eletrodoméstico acessível à todos, e também levando-se em conta os cerca de 110 mil habitantes ararenses, é possível que haja no mínimo 30 mil aparelhos na cidade. Quanto ao número de televisores digitais, com certeza, devem ser poucos ainda, isto, até que ele venha a se tornar algo tão comum quanto o celular. Por fim, lembremos que, em 1993, quando o celular era privilégio de cerca de duas mil pessoas no Rio de Janeiro, um modelo portátil da NEC custava em torno de US$ 3 mil, portanto...

 Hoje, o "Morro do Cuba" e suas torres

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BIBLIOGRAFIA: Consultar autor
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